terça-feira, 20 de setembro de 2011

Uma ideia sobre as ideias

(Escrito no primeiro semestre de 2010, tirado do baú no domingo).


Semana passada, alguém me disse que "as ideias foram criadas para serem copiadas, né, Heleninha?". Fiquei em cima do muro, como faz qualquer leigo que prefere "não ter opinião formada sobre o assunto" (frase que se traduz com um "não sei", claramente). Todavia, rendeu-me algumas horas pensando sobre aquilo.

Por um lado, considero que todo criativo que se preze, e não falo aqui só do publicitário, gosta de ver sua ideia copiada. Seja pela questão de o trabalho dignificar o homem, pela condição humana de sociabilidade, superego, enfim. Aposto que o cara que criou a vacina da gripe, por exemplo, seja lá quem for ele, adorou ver a difusão de laboratórios que produzem a mesma vacina e, também, versões melhores dela. Ideia copiada ainda é a prova mais real de que uma ideia deu certo. Além disso, ideia exposta perde o dono. Afinal, uma boa ideia pode ter mil e uma utilidades, sem as quatro aspas.

Por outro lado, aqui como publicitária, coloco que "ideia+originalidade=cash" e, desse ponto, já não se torna tão bacana o plágio, apesar de a descoberta do autor permanecer difícil. Lembro que, ano passado, vi um outdoor de um restaurante no qual estava escrito "chegou o fast food italiano, capicce?". Na mesma semana, vi um anúncio de revista de uma marca de óculos, com uma frase mais ou menos assim "um óculos moderno, capicce?". Não sabia julgar a vítima, mas tive certeza de que era cópia. Até um conhecido dizer-me: então, todos os slogans com a palavra "sempre" estarão copiando a "sempre Coca-Cola"? Sempre o menor preço, sempre com você. Sempre, sempre, sempre. Veio-me uns três à cabeça, no mesmo instante. Fez-me refletir que o sucesso da Coca não é a palavra sempre, e sim como posiciona-se diante daquilo a que se presta, a palavra é problema do Aurélio.

Outro exemplo que me parece óbvio é o das campanhas da Sprite e do Guaraná Antarctica. Logo após a Sprite ter lançado a campanha "as coisas são como são", o Guaraná lançou a campanha "é o que é", que, no meu ponto de vista, reflete o mesmo posicionamento.

Como fã da marca Guaraná Antarctica, inclui a possibilidade de a empresa ter elaborado a ideia primeiro, mas propagado depois. Partindo desse ponto de vista, e percebendo que nem a Coca nem a Antarctica foram prejudicadas, considero que todo plágio bem feito é válido, aliás, a maioria deles é até irreconhecível - ou a gente finge que não vê? Plagiando alguém, "nascemos originais, morremos cópias".

"Tudo que irá existir tem uma porção de mim. Tudo que parece ser eu é um bocado de alguém." (Móveis Coloniais de Acaju)

2 comentários:

? disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
LariHill disse...

Isso me faz lembrar um caos repentinamente estabelecido em minha vida: monografia e a falta de ideias.
De toda sorte, gostei de tudo, inclusive da ideia sem acento.
Sigo sua fã.